terça-feira, 23 de novembro de 2010

- tudo bem, querida [4];

já não me quer? tudo bem. basta que eu te olhe, nem chego perto, no outro lado da mesa. cafetina de corações solitários. ó estripadora de alminhas líricas. vendo o teu desprezo pode ser que ganhe coragem e força. com as mãos arranco o próprio coração pelas costas.

meus ossos já se desmancham, deixo cair garfo e xícara, puxo da perna esquerda. me repito, eu? pudera, no ouvido esse bando de baitacas gritando sangue, me acuda, inferno, eu morro. dá um tempo cara.

não assim, não pra sempre: o fim do mundo às duas e quinze da tarde. em vez da rtombeta e a explosão de uma voz alegre no telefone publico. tudo bem, sinto muito, desculpa e obrigadinha. sente muito, você, a maior das assassinas?

tudo bem pô nenhuma. não tem obrigadinha. não tem desculpa. quero você inteirinha de volta. orgulho já não tenho. merda pro orgulho. a paz dos cabelos brancos, até essa me deixou. entre você e o amor próprio escolho você.

entre a dignidade e a abjeção com você, escolho a abjeção. só peço pelo último encontro, duas palavrinhas.

por você eu morro todo dia. pelo teu amor sou morto a cada hora. deixa te ver, sua maldita, uma vezinha só. ai, por favor. minha santinha querida. por favor.

(dalton trevisan)

Nenhum comentário: