segunda-feira, 22 de novembro de 2010

- tudo bem, querida [3];

machão, eu? o mais reles dos ratos piolhentos do amor. sem honra, nem palavra, por mim não respondo, todo me ofereço à vergonha da humilhação.

lembra da aranha? você cortou com a tesoura as oito patas, cada uma ainda quis andar sozinha... e se distraiu ao vê-la desfinhar o ventre, o recheio verde. essa aranha roxa, alí no piso branco, sou eu. mudo me retorcendo de tanta dor.

delicada, eu um sem braço nem perna, debaixo do teu sapatinho prateado? o meu desespero, goze à vontade. tudo menos oi, querido, acabou o nosso caso. pô que acabou!

e eu, ô cara? sem você, o que será de mim, já pensou? não tem nenhuma peninha? eu morro, sua puta. por você eu grito três dias sem parar. me dá um tempo. qual é a tua, cara? como pode, até ontem me amava e hoje tudo acabado?

e os teus bilhetes de juras eternas, as letras borradas de fingidas lágrimas? a isso chama de amor? me beija na boca e no mesmo suspiro me acerta o ferrão de fogo. tudo eu aceito, só não me deixe. aqui na maior desgraça.

não ouve meu soluço e rasgar de dentes? me dá um tempo, cara. um mês, uma semana, um diazinho só.
[...]

(dalton trevisan)

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